O caso da menina J. foi muito marcante para mim. Foi uma criança que estudou durante muitos anos na escola, passando por diversos professores, mas não conseguia concluir sua alfabetização. Todos os professores preocupados com seu caso, procuraram o Serviço de Orientação da Escola, mas nenhum encaminhamento se efetivava, até que há dois anos atrás ela foi minha aluna. Se destacava na sala, era uma mocinha, no auge dos seus quinze anos, e o resto da turma na faixa-etária de seis a sete anos. Comecei a observar seu comportamento, e me propus a me dedicar bastante à ela. Só que meus esforços eram em vão, ela avançava um pouquinho e retrocedia em poucos dias. Durante as aulas queria só me ajudar a cuidar das crianças, levá-las ao banheiro, refeitório, organizar as brincadeiras e jogos no pátio, arrumar meu armário, enfim tudo menos participar efetivamente das aulas. Tinha dificuldades de memorização, atenção e concentração, no seu diagnóstico sua idade mental não correspondia à sua idade cronológica. Comecei a me angustiar, pois via que seria mais um ano em que ela não se alfabetizaria, sem contar com as inúmeras reclamações dos pais, de que J. tinha assuntos muito avançados com as crianças, tipo gravidez, menstruação, etc...
Recorri ao Soe da escola, e pedi com urgência um encaminhamento para essa menina. Ela foi encaminhada ao CADEPE, onde fez uma avaliação por uma equipe multidisciplinar. Começou a frequentar uma escola especializada, pois devido à sua idade e especifidades não era possível continuar em uma classe regular. Fiquei muito triste com a saída dela, a acolhi com muito amor, com um olhar diferenciado, e tentei ajudá-la o mais que pude. No dia de sua saida da escola, ela me presenteou com uma foto dela, e disse que nunca iria me esquecer.
Comments (1)
Simone Ramminger said
at 4:48 pm on May 2, 2009
Tenho observado nos relatos que venho lendo que a angústia dos professores de não saber como agir e lidar em determinadas situações com essas crianças é uma constante nas salas de aulas. Disponibilidade e boa vontade do professor são importantes, mas não são suficientes. Por isso, a importância de o professor estar sempre estudando, lendo e discutindo mais sobre o assunto. Aproveitar os espaços de troca com os colegas também pode ajudar muito! Um abraço, Simone
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