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RELATOS DE EXPERIÊNCIAS

Page history last edited by ilsa.berenice@... 3 years, 1 month ago

Minha 1ª experiência com aluno com necessidades especiais foi no ano de 1994. Tinha uma turma de 2ª série, numerosa e agitada. Para piorar peguei a turma em maio, pois a professora titular foi embora prá outra cidade. Nesta turma tinha um aluno diferente, era maior e mais robusto que os outros e tinha um comportamento estranho. F. tinha 11 anos, um menino sadio, loiro de olhos claros, muito bonito. Durante as aulas ficava ausente, com o olhar fixo em algum ponto, era arredio, não demonstrava nenhum afeto para comigo e não se relacionava com os colegas. Parecia que vivia num mundo só dele. Tinha momentos em que se balançava sem parar, com o olhar fixado em alguma coisa. Outras vezes levantava da cadeira e ficava agitando as mãos sem parar, sempre com o olhar em algum ponto. Às vezes, ficava se balançando e rindo muito. Claro que isso chamou a atenção dos colegas, que começaram a debochar dele. Chamei sua mãe para conversarmos, e ela me explicou que o menino era autista, que estudou numa escola especial, onde conseguiu se alfabetizar. Só que devido às condições financeiras da família, não tinha condições de levar e buscar esta criança, pois a escola era em Porto Alegre e morava em Alvorada. Decidiu colocá-lo em uma escola regular de ensino. E na época o menino não estava em tratamento. Ele lia muito bem, relacionava numerais com quantidade, e realizava operações de adição e subtração simples. Não conseguia interpretar textos e tarefas que exigiam maior complexidade. Às vezes, quando queria, só copiava, mesmo com minha ajuda, não fazia nada, pois quando falava com ele,agia como se fosse surdo. Tinha uma letra linda, era muito caprichoso e organizado no caderno. Lidar com a turma, não foi fácil, pedi ajuda até da orientação da escola, para que conversasse com eles a respeito de F. Na hora do recreio, freqüentemente, havia queixas dele, pois tinha uns acessos de raiva e machucava os colegas. Quando conversava com ele, e perguntava por que ele bateu nos colegas, ele me respondia repetindo a pergunta que eu tinha feito. Ou às vezes repetia somente palavras como “bati nele” “chutei ele”, ou demonstrava através de gestos o que tinha feito. Às vezes me sentia impotente com a situação, mas consegui concluir o ano letivo com F. Junto com a supervisão e orientação da escola, conversamos com a mãe do menino, que foi orientada a dar continuidade ao tratamento, ele não passou para a série seguinte, e repetiu a série com uma nova colega, mas os problemas continuaram e a mãe decidiu colocá-lo na escola especial antiga. Moro bem perto da casa dele, e de vez em quando o vejo, acho estranho, pois ele passa por mim e nem me dirige o olhar, continua distante, sem o mínimo de afeto por mim, bem diferente dos outros alunos que dei aula.

Comments (1)

Simone Ramminger said

at 11:46 pm on Apr 5, 2009

Olá Ilsa!
Imagino como foi pra ti entrar numa sala de aula em maio, com uma turma numerosa e agitada e com um aluno autista. Esse foi teu primeiro e único contato com uma criança autista? Ainda bem que tiveste apoio do setor pedagógico da escola. Mais adiante na interdisciplina, vamos estudar um pouco sobre autismo e talvez entendas alguns comportamentos desse aluno. Tiveste outras experiências com pessoas com necessidades educacionais especiais?
Nas próximas postagens, procura fazer relações com os textos que vocês estão lendo para a interdisciplina. Tenho certeza que construirás um belo Dossiê!
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

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